Petróleo e álcool puxam indústria

Fonte: Valor Economico
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Petróleo e álcool puxam indústria 13/11
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A indústria da Bahia encerrou o primeiro semestre com o melhor desempenho do setor, no país. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física Regional (PIM-PF Regional), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento registrou crescimento de 5,9%, de janeiro a junho, em relação ao mesmo intervalo de 2012.

O grande empurrão nos números baianos veio do segmento de refino de petróleo e álcool, ajudado pelo aumento na produção de óleo diesel, gasolina automotiva e naftas para petroquímica. Com ajuda da indústria, a Bahia também solidifica um incremento expressivo no seu Produto Interno Bruto (PIB), em comparação à média nacional. Enquanto o crescimento acumulado no primeiro semestre de 2013 do PIB brasileiro foi de 2,6%, a Bahia cresceu 3,3%. Para especialistas, as cifras seriam ainda mais gordas se os gargalos de infraestrutura do Estado fossem resolvidos.

"O principal obstáculo da indústria baiana está na baixa oferta e qualidade da infraestrutura", diz José de F. Mascarenhas, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). "A sexta economia do país precisa de portos, estradas, ferrovias e aeroportos eficientes para suportar as necessidades atuais e o crescimento esperado".

Segundo Mascarenhas, a indústria é responsável por 30,3% da formação do PIB do Estado. Há oito mil fábricas cadastradas no guia industrial da Fieb - 46,4% são microempresas, 37,8% são pequenas, enquanto as de médio porte formam 12,1% do total e as grandes têm 3,7% de participação.

O alto grau de concentração de atividades é outra característica marcante da indústria baiana. Somente a Região Metropolitana de Salvador (RMS) e o Recôncavo Baiano respondem por 60,4% do valor adicionado bruto industrial do Estado. Na RMS, está o Polo de Camaçari, considerado o maior complexo petroquímico integrado da América Latina. "O desenvolvimento assimétrico entre a RMS, o Recôncavo e o interior é um dos principais desafios para um crescimento econômico mais equilibrado na Bahia", diz Mascarenhas. "Os investimentos industriais têm efeito multiplicador sobre a economia, ao gerar demanda para outras empresas do comércio e serviços".

 

 

Prova disso são os dados divulgados pela secretaria estadual da Indústria, Comércio e Mineração (SICM). Entre 2007 e 2013, o Estado recebeu quase R$ 50 bilhões em investimentos privados, com a implantação e ampliação de mais de 200 empresas. Entre os aportes em curso estão o Complexo Acrílico da Basf, em Camaçari, com investimentos de R$ 1,2 bilhão, e um projeto de R$ 3,5 bilhões, de extração de minério de ferro em Pindaí e Caetité, da Bahia Mineração (Bamin), com previsão de exportar 20 milhões de toneladas ao ano.

Para Shirley Silva, sócia líder da consultoria EY na Bahia, a indústria petroquímica, em Camaçari, é uma das forças motoras do desenvolvimento do Estado. "O setor apresenta boas possibilidades de articulação e complementaridade com outros segmentos da indústria", diz. O polo, inaugurado em 1978, tem 90 empresas - 35 delas químicas e petroquímicas - e responde por 20% do PIB estadual.

Integrante do complexo, a Braskem investe cerca de R$ 230 milhões na Bahia, anualmente, segundo Emmanuel Lacerda, responsável pelas relações institucionais da multinacional no Estado. "A verba vai, principalmente, para a infraestrutura do parque fabril, qualificação de mão de obra e tecnologia para o desenvolvimento de novos produtos", diz.

A fabricante tem seis unidades em Camaçari, com 1,9 mil funcionários diretos, e ainda favorece a formação de novos ramos produtivos, como o do acrílico, ligado à oferta de propeno. A maior planta da marca no município, de petroquímicos básicos, tem 235 mil metros quadrados de área e funciona como uma central de insumos para todo o polo, diz Lacerda.

"Produzimos, anualmente, na Bahia, cerca de cinco milhões de toneladas de produtos petroquímicos e resinas termoplásticas", diz. Segundo o executivo, a empresa está investindo cerca de R$ 50 milhões para ampliar a capacidade de produção de polietileno de baixa densidade linear (PEBDL) em 120 mil toneladas anuais. O material é utilizado nos filmes que embalam alimentos congelados. A previsão é que a nova linha de produção comece a operar em 2015.

A Braskem e a alemã Styrolution, do segmento de estirenos, também planejam uma joint venture no Brasil para uma nova planta no polo, com capacidade de entregar 100 mil toneladas anuais de copolímeros de acrilonitrila butadieno estireno (ABS), um plástico de engenharia utilizado na indústria automobilística e de eletroeletrônicos. O início da produção é estimado para 2017.

A atração de novos investimentos também chama a atenção do setor imobiliário. A Iron House Real Estate, empresa do grupo pernambucano Cornélio Brennand, vai construir um empreendimento residencial, com 2,9 mil unidades, ancorado pelo primeiro shopping center do município, com 115 lojas e previsão de inauguração em 2015. "Os números de Camaçari fundamentam a escolha pelo local", diz Ruy Rego, presidente da Iron House. "São esperados 24,5 mil novos empregos qualificados, com ganhos acima de cinco salários mínimos, até 2020".

Para Shirley Silva, da EY, por ser um Estado com alta concentração de renda na RMS, a interiorização dos investimentos é uma boa alternativa para um novo arranque de desenvolvimento. Em Mucuri, a 570 quilômetros de Salvador, a Suzano Papel e Celulose mantém uma unidade com capacidade para entregar 1,6 milhão de tonelada de celulose e 250 mil toneladas de papel, ao ano. "O extremo sul da Bahia possui condições climáticas excepcionais para o cultivo de eucalipto", justifica o diretor industrial José Alexandre de Morais.

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